… grandes são (…) as chaminés por toda a recortada margem que se estende de Almada a Alcochete, com as suas torrentes aéreas de fumo branco, amarelo, e ocre, ou cinzento ou negro. Dá-lhes o vento, e as longas e estiradas nuvens cobrem os campos para sul e poente. É terra de estaleiros e fábricas, Alfeite, Seixal, Barreiro, Moita, Montijo, terra convulsa onde o metal range, ruge e bate, onde silvam gases e vapores, onde infinitas tubagens orientam o fluxo dos carburantes. Tudo é maior que os homens. Nada é tão grande como eles.
José Saramago – Viagem a Portugal, 1981
A instalação da indústria, nos concelhos a sul do rio Tejo, estimulou a migração de trabalhadores vindos do Alentejo e de outras regiões do país, em busca de trabalho nos caminhos de ferro, nas fábricas e na construção.
A indústria estabeleceu uma forte relação de complementaridade com as atividades agroindustrial e de mineração que se desenvolveram na Região de Setúbal e, em particularmente, no Alentejo, onde as planícies se espraiavam em extensos montados de sobro e campos de lavoura.
A produção agrícola e os minerais, provenientes da exploração de pirite no Lousal, foram integrados no processamento industrial e impulsionaram o desenvolvimento económico da Região de Setúbal. Neste contexto, a ferrovia assumiu um importante papel no transporte de mercadorias e de passageiros, entre os concelhos ribeirinhos da Margem Sul e os municípios alentejanos.
A Rota do Património Industrial da Região de Setúbal visa contribuir para o conhecimento, a valorização e a divulgação de alguns dos sítios de património industrial que, ao longo do século passado, ocuparam milhares de operários rurais e fabris, configuraram o espaço e deixaram marcas distintivas no território, contribuindo ainda para a construção de uma identidade regional, forjada no trabalho das suas populações.