A edificação do Forte de São Filipe a mandado de Filipe II de Espanha, I de Portugal, possivelmente no ano de 1582,  pela sua estrutura e localização (diferente da inicialmente planeada, mais junto do rio) em posição dominante, no monte sobranceiro sobre a cidade e o rio Sado, visava mais uma forma de intimidação do que vigiar os perigos tradicionais que vinham do mar, como demonstração de força do poder espanhol e de controle de acesso ao porto comercial setubalense, vigiando atentamente os movimentos do burgo, mais do que para defender a povoação como terá sido preconizado.
Construído segundo o traçado do arquiteto e engenheiro militar italiano Filipe Terzi, após a morte deste (1598?) terá sido designado para a continuação dos trabalhos o arquiteto e engenheiro militar Leonardo Turriano que as terá dado como concluídas em 1600.
A planta apresenta-se em forma de estrela, de traçado sinuoso adaptada ao terreno acidentado. Os seis maciços e imponentes baluartes irregulares, com paramentos em talude são rematados em cordão e parapeito pleno, integrando nos ângulos flanqueados, guaritas poligonais, cobertas por cúpulas. Circundado por fosso e com contra-escarpa[1], apresenta cerca trapezoidal (“bateria baixa”) adossada a este, na encosta sobre o rio, resultado da ampliação realizada, entre 1649 e 1655, no contexto da restauração da independência a mandado de João de Saldanha, Governador das Armas de Setúbal, visando o reforço de defesa de forma a suprir a deficiência da artilharia em cobrir o acesso fluvial ao porto, sendo também edificado nesta altura a casa do governador e os aquartelamentos. A entrada de porta fortificada situa-se a oeste, entre dois baluartes, dando acesso a um átrio e deste a uma larga rampa, conduzindo às plataformas superiores, onde estão implantados os edifícios da fortaleza. Esta apresenta-se coberta por abóbada, com degraus em dois lances, com patamar entre os seus lances que, por sua vez, dá acesso às casamatas[2].
No terrapleno, encontram-se a Casa de Comando (antiga residência do Governador das Armas) e a pequena Capela de São Filipe. A capela joanina apresenta planta retangular, coberta por abóbada de berço, portal com frontão ornado com volutas e uma torre sineira, entre pilastras. No século XVIII, a capela, adquiriu o seu rico revestimento azulejar azul e branco, do qual se destaca os painéis figurativos, datados de 1736 e assinados pelo mestre Policarpo de Oliveira Bernardes. Neste século o forte terá servido de prisão dos acusados de conspiração contra D. José I e sido utilizado como Escola de Artilheiros.
Em 1868 um violento incêndio destruiria os aquartelamentos e Casa do Comando.
No século XX foi objeto de vários estudos e intervenções de conservação e restauro tendo o antigo edifício do governador e as antigas casamatas sido adaptadas a estabelecimento hoteleiro. A abertura ao público como estalagem foi em 1965. Passando a estalagem a designar-se de pousada, em 1973, é inserida na rede Pousadas de Portugal, integrando o grupo das Pousadas Históricas. Em 2014 a pousada viria a ser encerrada pelo grupo Pestana encarregue da sua exploração e, em 2017, a Câmara de Setúbal assume a gestão da fortificação com a reabertura do bar e da esplanada.
Vulgarmente também conhecido como Castelo de São Filipe, embora não o seja, a fortificação militar está classificada como Monumento Nacional.


[1] Contra-escarpa, muro defensivo, localizado no lado externo de um fosso, por oposição ao muro principal (a escarpa) do lado interno, servindo como barreira adicional de forma a impedir ou retardar o avanço dos inimigos.
[2] Construções subterrâneas em abóbada, em fortificações, que servem de abrigo para diversos fins, como, por exemplo, para alojamento de tropas, armamento ou munições e até prisões.

Tipo de sítio

Forte

Horário

De terça a sexta-feira, das 10h às 19h, e aos sábados e domingos, das 10h às 20h.

Ingresso

Gratuito.

Acessibilidade

Restrições a pessoas com mobilidade condicionada.

Contactos

Tel.: 265 545 010

Localização

Município de Setúbal | Estrada do Castelo de São Filipe 2900-300 Setúbal
Georreferenciação: 38.51767645749528, -8.909463339469063

Bibliografia

Silva, J. C. V. (1990) – Setúbal. Lisboa: Editorial Presença.

SIPA – Forte de São Filipe. SIPA – Sistema de Informação para o Património Arquitectónico. [Consult. 11.10.2025]. Disponível em: http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=2007

Victor, I.; Gonçalves, L. J. (1993) – Castelos e Fortalezas da Costa Azul. Folheto turístico Setúbal. Setúbal: Região de Turismo da Costa Azul.

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