Ruínas Romanas de Tróia

As primeiras notícias sobre as Ruínas de Tróia surgem no século XVI, datando a primeira intervenção arqueológica do século XVIII, seguida de outras campanhas nas centúrias seguintes. Os trabalhos que decorrem atualmente inserem-se num projeto de valorização do sítio, promovido pelo Tróia Resort, sendo da responsabilidade da arqueóloga Inês Vaz Pinto.
As Ruínas de Tróia, que se crê estarem situadas na outrora chamada Ilha de Acála e datadas de entre os séculos I e VI d.C., constituem um dos mais importantes testemunhos da presença romana na Península Ibéria. Correspondem a um importante complexo fabril de conserva e salga de peixe, um dos maiores do Império Romano e do Mediterrâneo Ocidental, que se estende por uma faixa de quase 2 km e, constitui o mais relevante sítio arqueológico do concelho de Grândola.
Ainda hoje é possível observar um vasto número de construções e testemunhos, de natureza fabril, habitacional e funerária. Relativamente ao complexo fabril é formado por um conjunto de tanques de salga de peixe e marisco (cetárias), de diferentes tamanhos, destinados à produção de garum (condimento/molho de peixe). Terá funcionado entre os séculos I e V d.C., mas a presença humana permaneceu até ao século VI d.C. A zona habitacional possui residências com um ou mais pisos, com mosaicos e frescos. Foi identificado um balneário com tanques para banhos de água quente (caldarium), morna (tepidarium) e fria (frigidarium), um vestiário (apodyterium) e uma ampla sala de convívio e exercício físico, palaestra. Existe ainda vestígios de um edifício paleocristão, designado por Capela Visigótica ou Basílica Paleocristã, construída em finais do século IV ou inícios V e necrópoles de tipologia diversa, que vão desde o século I d.C. até à Idade Média. A salga de peixe e os molhos obtidos, em grande quantidade, neste complexo fabril eram exportados para todo o Império Romano, sobretudo para a capital, Roma.

Tipo de sítio

Complexo fabril de conserva e salga de peixe

Horário

1 de abril a 31 de maio e 1 de setembro a 30 de setembro – quarta-feira a sábado, 10h00-13h00 e 14h30-18h00; 1 de junho a 31 de agosto* – terça-feira a sábado, 10h00-13h00 e 14h30-18h00.
*Encerradas durante as Festas de Nossa Sr.ª Rosário de Tróia (17 a 21 de agosto)  Entrada até 30 minutos antes da hora do fecho.

Ingresso

Pago.

Acessibilidade

Acessível a pessoas com mobilidade condicionada.

Locais de exposição do espólio

Ruínas Romanas de Tróia; Museu Nacional de Arqueologia; Museu Municipal de Grândola; Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal.

Contactos

Tel.: 939 031 936
E-mail: arqueologia@troiaresort.pt
Site: https://www.troiaresort.pt/ruinas-romanas-de-troia/

Localização

Município de Grândola | Sítio da Caldeira, Península de Troia, Freguesia do Carvalhal. 7570 Grândola
Georreferenciação: 38.48629076259532, -8.88484654232802

Bibliografia

ALMEIDA, R.; PINTO, I. V.; MAGALHÃES, A. P.; BRUM, P. (2014) – Which amphorae carried the fish products from Tróia (Portugal)?. REI CRETAREAI ROMAN FAVTORVM. Roma: International Learned Society. Acta 43, p. 653-661.

ETIÉNNE, R.; MAKAROUN, Y.; MAYET, F. (1994) – Un grand complex industriel a Tróia (Portugal). França – Paris: Diffusion E. de Boccard.

PINTO, V. I.; MAGALHÃES, A. P.; BRUM, P. (2016) – Tróia na Antiguidade Tardia. A Lusitânia entre romanos e bárbaros. Coimbra – Mangualde, p. 309-442.

PINTO, V. I.; MAGALHÃES, P. A.; BRUM, P. (2010) – O Complexo industrial de Tróia desde os tempos dos Cornelii Bochii. Lucius Cornelius Bochus, Escritor Lusitano da Idade da Prata da Literatura Latina. Lisboa: Academia Portuguesa da História, p. 133-169.

PINTO, V. I.; MAGALHÃES, A.; BRUM, P. (2014) – Ruínas Romanas de Tróia: a valorização de um património singular. MUSA, 4. Setúbal: Fórum Intermuseus do Distrito de Setúbal, p. 29-40.

PINTO, I. V., MAGALHÃES, A. P.; BRUM, P. (2014) – An overview of the fish-salting production centre at Tróia (Portugal). Fish & Ships. Production et commerce des salsamenta durant l’Antiquité. Aix-en-Provence, p. 150.

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