A aldeia mineira do Lousal localiza-se, geologicamente, na Faixa Piritosa Ibérica. Os vestígios arqueológicos levam a crer que os inícios da exploração mineira remontem ao Calcolítico (3000-2000 a.C.). São várias as sepulturas megalíticas na região, sendo que numa delas foi recolhida uma ponta de seta em cobre, o que reforça esta ideia. Do período romano existem vestígios de exploração numa galeria cortada transversalmente pela estrada de acesso ao complexo mineiro moderno e alguns vestígios junto à Ribeira de Corona. Também deste período remonta a ocupação no denominado sítio do Castelo Velho do Lousal, conjunto fortificado com muralha e fosso, situado a cerca de 1 km a norte da mina, onde foram recolhidas moedas, cerâmica de construção e armazenamento e escórias. Em 1881 foi registada a “descoberta” desta mina por um lavrador local, mas foi principalmente a partir dos inícios do século XX que se iniciou a exploração. Inicialmente foram outorgados os direitos de concessão e de exploração da mina do Lousal a Guilherme Ferreira Pinto Basto e a Waldemar de Albuquerque d’Orey que, em 1910, formaram a Sociedade Minas dos Bairros, Lda., que ficou com a concessão até 1933. Neste período a exploração esteve a cargo da Firma Henry Burnay & Compagnie (1914-1924) e, mais tarde, da Sociedade Mines d’Aljustrel (1934-1936). Em 1937 a concessão e a exploração concentraram-se na Societé Anonyme Mines et Industries, adquirida depois pela SAPEC, que a explorou até 1988, data do seu encerramento. Após um período de quase abandono da aldeia, o município de Grândola, junto com a SAPEC, criou um projeto para a sua dinamização e reabilitação, enfatizando a componente museológica, cultural e turística. O projeto RELOUSAL permitiu a formação profissional de antigos trabalhadores, levou a cabo a valorização patrimonial e a requalificação do espaço urbano, permitiu a minimização do impacte ambiental dos antigos trabalhos na mina, divulgou e promoveu cientifica, patrimonial, cultural e turisticamente a aldeia, com a abertura do Museu Mineiro do Lousal, a criação de um Centro de Artesanato, a reabilitação do antigo Mercado e a abertura de um hotel. A Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial foi a entidade que concebeu o projeto de Musealização da Mina do Lousal, inaugurando na antiga Central Elétrica o Museu Mineiro, que aborda a história geológica e mineira e a arqueologia e história do Lousal. Em 2010 foi inaugurado o Centro de Ciência Viva do Lousal – Mina de Ciência e em 2015 abriu ao público a Galeria Waldemar, a primeira em Portugal a permitir a entrada numa antiga galeria mineira.
Tipo de sítio
Arquitetura industrial / mina e outras construções subsidiárias ao funcionamento desta indústria extrativa / áreas residenciais de pessoal da mina
Horário
Corta mineira e cementação: Visita livre
Centro Ciência Viva : 3ª feira a domingo (inclui feriados, sendo 22 de outubro feriado municipal) – 10h00 – 18h00
Encerra nos dias 24, 25 e 31 de dezembro e 1 de janeiro
Galeria Waldemar: Período escolar: sábados e domingos às 10h30
Período não escolar: diariamente às 10h30
Museu Mineiro do Lousal: 11h00 | 14h00 | 16h30
Ingresso
Pago.
Acessibilidade
Restrições a pessoas com mobilidade condicionada.
O espaço exterior e envolvente do Centro Ciência Viva e Museu Mineiro do Lousal apresenta algumas restrições a pessoas com mobilidade condicionada.
Locais de exposição do espólio
Corta mineira e cementação | Centro de Ciência Viva do Lousal | Galeria Waldemar | Museu Mineiro
Contactos
Tel.: (+351) 269 750 520
E-mail: acolhimento@lousal.cienciaviva.pt
Site: https://lousal.cienciaviva.pt/museu-mineiro/
Localização
Município de Grândola | Freguesia de Azinheira dos Barros e São Mamede do Sádão | Aldeia do Lousal
Georreferenciação: 38.03629, -8.42599
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