A Fortificação Medieval de Setúbal é também designada por Muralha Afonsina ou Muralha do séc. XIV.
A construção da primeira linha de muralhas no séc. XIV, custeada pela população endinheirada (burguesia), ligada ao artesanato e ao comércio, é bem a prova do crescimento económico da vila de Setúbal. Com a função de conter os assaltos de piratas e corsários que, oriundos do Norte d’África pelo oceano Atlântico, penetravam pela foz do rio Sado, a muralha medieval, edificada no reinado de D. Afonso IV, e concluída no reinado seguinte de D. Pedro I, cerca o núcleo mais antigo de Setúbal, com uma área quase retangular paralela ao rio. Construída de acordo com as características arquitetónicas da época de forma a fazer face ao tipo de ataques e aos instrumentos bélicos existentes na altura, esta, apresentava paredes espessas e altas, com várias portas de acesso aos campos e ao rio, bem como torres de vigia.
Atualmente subsistem troços do perímetro muralhado medieval, parte deles, onde se encontram inscritos alguns dos arcos das portas e torres de vigia.
Assim, nos vestígios ainda existentes, encontramos um dos arcos de uma das portas da muralha que ainda conserva a sua traça original, de estilo gótico, conhecida como Porta do Sol. Também chamada de Porta da Moura Encantada, devido a uma lenda, esta situa-se a Este, na confluência com limite Sul da muralha, junto do rio (atual Av. Luísa Todi), dando acesso à zona da Mouraria, onde o grupo étnico-religioso islâmico vivia na Idade Média. Também no lado Este vamos encontrar o arco da Porta de São Sebastião que, embora realizado na parede da muralha medieval, só foi aberto no séc. XVI. Este apresenta, pois, uma gramática estrutural e decorativa completamente distinta da construção da fortificação medieval com o arco limitado por painéis realizados em pedra. Além destes arcos existem ainda outros embora já muito alterados, como o do Postigo do Cais, o Postigo do Carvão ou o da Porta da Ribeira, todos no lado sul da muralha.
Apresentando-se alteradas, por terem sido integradas em edifícios posteriores que vieram a englobar parte das paredes da muralha, os vestígios de duas torres de vigia, uma hexagonal, no canto sudoeste da muralha, na Av. Luísa Todi, e a outra quadrangular, na atual Av. 22 de Dezembro, ainda, podem ser observadas.
Alguns panos de muralha são visíveis em várias ruas dos quais o mais conhecido situa-se junto do Jardim do Quebedo, incorporado em parte de antigo palacete onde se encontrava instalada a Casa do Corpo Santo[1].
[1] Casa do Corpo, edifício onde esteve instalada a confraria do mesmo nome (confraria de mareantes – pessoas ligadas às atividades marítimas) e que hoje o Museu do Barroco de Setúbal.
Tipo de sítio
Fortificação
Horário
Acesso público permanente.
Ingresso
Gratuito.
Acessibilidade
Restrições a pessoas com mobilidade condicionada em alguns troços.
Contactos
Não se aplica.
Localização
Município de Setúbal | Não se aplica, depende dos vestígios.
Georreferenciação da porta do sol: 38.523247480135836, -8.887282422618169
Silva, J. C. V. (1990) – Setúbal. Lisboa: Editorial Presença.
SIPA – Fortaleza de Setúbal. SIPA – Sistema de Informação para o Património Arquitectónico. [Consult. 15.10.2025]. Disponível em: http://monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=10264
Soares, J.; Tavares da Silva, C. (1982) – Muralhas Medievais de Setúbal. Setúbal: MAEDS.
Soares, J.; Pereira, T. R.; Duarte, S.; Mouro, C. (2018) – Fortificação Medieval de Setúbal. Identificação do núcleo defensivo da Ribeira ou “Castelo”. MUSA – museus, arqueologia & outros patrimónios, 5. Setúbal: MAEDS, p. 51-78.







