A Fortaleza de Santiago tem sido conhecida por diversos nomes como Forte de Santa Maria da Arrábida, Forte da Marinha ou Forte da Praia.
Sabemos, no entanto, que em Sesimbra a existência de uma pequena fortaleza, na praia, é anterior a 1580, quando Filippo Terzi a identifica como Forte de “Ancua”.
As inspeções realizadas ao porto de Sesimbra e as fortalezas de Setúbal, no âmbito dos decretos de 1641 e 1642, de forma a planear fortificações que fossem necessárias, terá determinado a construção da Fortaleza de Santiago a partir de 1642. Projetada pelo padre, arquiteto e engenheiro militar, de origem flamenga, conhecido como João de Cosmander, resultou, muito provavelmente, no reaproveitamento de algumas estruturas do antigo forte, prolongando-se a edificação por muitos anos sem que este tenha acompanhado as suas obras, uma vez que andou ocupado, a inspecionar todas as Praças das fronteiras e em ações militares, até à sua morte. Embora alguns autores datem a conclusão em 1648 (data da morte de Cosmander) sabemos que uma parte importante da obra ainda não tinha sido iniciada em 1650.
Localizado a meio da praia, apresenta grande importância estratégica como principal ponto da defesa marítima de Sesimbra, mas também como local privilegiado de controlo das principais atividades económicas.
De planta poligonal estrelada, alongando-se em linhas abaluartadas no sentido longitudinal da praia, em desenhos, de cerca de 1661, de Nicolau de Langres, observa-se que as casas da povoação ficavam ainda a uma distância considerável, mas, 30 anos depois, em 1691, já novas habitações se tinham aproximado de tal modo que ficaram separadas da fortaleza por um simples muro. Em planta datada de 1693 é possível apreciar que embora semelhante à tipologia das fortificações da altura esta apresenta ligeiras diferenças. Composta por corpo retangular central, em cujos vértices se adossam os quatro baluartes triangulares ou semi-baluartes, sendo que os virados para terra são muito imperfeitos dando àquela área uma forma retangular, nada articulada com o sistema abaluartado. A ausência de fosso separando o forte da vila e outros aspetos, do lado de terra, parece ter sido intencional de forma a encaixar-se na paisagem urbana, tal como aconteceu com outras fortificações similares deste período, de forma a suavizar o aspeto agressivo, numa tentativa de conquista e aceitação do controlo da Coroa pelas populações.
O perímetro exterior atual não difere significativamente, apresentando uma ampla esplanada para a artilharia, encontrando-se os parapeitos rasgados por canhoeiras, com guaritas cilíndricas nos vértices extremos. Na parte superior do pórtico da entrada existe uma pedra de heráldica, com a data da possível fundação do edifício, 1648, representando o escudo francês e o português.
No interior, da fortificação, os pátios abrigavam as dependências de serviço: a Casa de Comando (residência do Governador das Armas), o quartel da tropa, o paiol, a capela, depósitos, masmorras e a cisterna. Hoje a fortaleza conserva, ainda, uma série de divisões, nomeadamente os diversos aquartelamentos, de entre os quais destacamos a Casa do Governador e respetivo oratório privado.
A Fortaleza de Santiago albergou o governo militar da região, assumindo desta forma, nos alvores do século XVIII, o comando das fortificações costeiras desde a Torre do Outão até à Lagoa de Albufeira.
Atualmente a fortaleza alberga o Museu Marítimo de Sesimbra.
Tipo de sítio
Fortaleza
Horário
Todos os dias, das 9h às 20h.
Ingresso
Gratuito.
Acessibilidade
Restrições a pessoas com mobilidade condicionada.
Contactos
Tel.: 93 842 74 79 (Museu Marítimo)
E-mail: museu@cm-sesimbra.pt
Site: https://centroculturalcosteiro.sesimbra.pt/
Localização
Município de Sesimbra | Rua da Fortaleza. 2970-738 Sesimbra
Georreferenciação: 38.44306534047045, -9.101522084225063
C. M. Sesimbra – Fortaleza de Santiago de Sesimbra. C. M. Sesimbra. [Consult. 16.10.2025]. Disponível em: https://www.sesimbra.pt/cmsesimbra/uploads/document/file/12342/akra4_net.pdf
Pedrosa, F. G. (2020) – Algumas incorreções sobre a história da Fortaleza de Santiago, Akra Barbarion. Sesimbra, cultura e património, 4. Sesimbra: Câmara Municipal de Sesimbra, p. 117-136.
Portocarrero, G. (2003) – Sistemas de defesa costeira na Arrábida durante a Idade Moderna. Uma visão social. Lisboa: Edições Colibri.
SIPA – Forte de Santiago. SIPA – Sistema de Informação para o Património Arquitectónico. [Consult. 16.10.2025]. Disponível em: http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=3453
Serrão, E. C.; Serrão, V. (1986) – Sesimbra Monumental e Artística. Sesimbra: C. M. Sesimbra.




