No âmbito da Rede de Património Cultural da Região de Setúbal, coube ao Município de Santiago do Cacém a preparação da Rota Cerealífera e Moageira.
A grande diversidade geográfica e paisagística do território do Distrito de Setúbal, que se estende do Atlântico à serra, aos vales férteis, às planícies de sequeiro do interior, passando pelos espelhos de água dos rios Tejo e Sado, de ribeiras e pequenos cursos de água, autênticas fontes de vida, que permitiram durante séculos a fixação de pessoas e animais. Gentes, que da terra retiravam os alimentos para a sua subsistência, nomeadamente os cereais para o fabrico do pão, base essencial da alimentação humana durante séculos.
Cedo se percebeu que esses cereais precisavam de ser moídos, para com eles se fazer o pão, os biscoitos e, mais tarde, as papas de milho.
É dessa necessidade de preparação de farinhas, que surgem os sistemas primordiais de trituração (almofarizes e mós manuais). O maior consumo, levou ao aumento de produção e ao uso da força animal com as atafonas; ao aproveitamento da água, com os moinhos de rodízio, azenhas e moinhos de maré, e da força do vento, com os tradicionais moinhos que, de braços abertos e a cantar, (enquanto houver moleiros) recebem quem chega, encimando as colinas na envolvente das nossas povoações, indiscutível marca cultural nas nossas paisagens.
O moleiro, figura incontornável da nossa ruralidade, era pago com a maquia, que correspondia a uma determinada percentagem (geralmente entre 10% e 12%) do cereal levado pelo cliente, para ser transformado em farinha.
Com o advento da industrialização, surgiram as primeiras moagens de cariz industrial e as primeiras fábricas de descasque de arroz. (este, outrora descascado nos moinhos tradicionais). Desses equipamentos, a maior parte encontram-se desativados, tendo alguns sido musealizados, graças a uma boa consciência de valorização patrimonial.
É sobre este vasto, rico e diversificado património cerealífero, molinológico, moageiro e de descasque, que incide a nossa proposta de uma grande rota, que deve, naturalmente, ser subdividida em sub-rotas, que incluam antigas estruturas de armazenamento de cereais; alguns museus, cujas temáticas assentam no ciclo dos cereais; moinhos que usam a força da água, onde se incluem os de maré; moinhos de vento; antigas moagens industriais e fábricas de descasque de arroz, passando pela degustação de produtos regionais distintos e de qualidade feitos à base de farinhas, como o pão do Torrão, (Alcácer do Sal) e o da Azóia (Sesimbra), as alcomonias de Santiago do Cacém e de Grândola, ou a Farinha Torrada de Sesimbra, entre outros.
O visitante pode iniciar a Rota pelo equipamento que estiver mais próximo da sua localização, ou, caso pretenda, optar por uma sequência evolutiva ou cronológica, por exemplo: Iniciar num museu cuja temática seja o ciclo dos cereais; antigos silos de armazenamento de cereais; moinho; antiga moagem e antiga fábrica de descasque de arroz.