O Núcleo da Mundet do Ecomuseu Municipal é constituído pelos seguintes edifícios:
– Edifício da Casa de Infância / Escritórios da empresa – imóvel térreo que, desde 2006, acolhe os serviços centrais do Ecomuseu Municipal (entre outros, o centro de documentação e informação do Ecomuseu)
– Edifício das Caldeiras Babcock & Wilcox – imóvel térreo da antiga central térmica da fábrica, equipada com duas geradoras de vapor da referida marca de construtor);
– Edifício das Caldeiras de Cozer – imóvel térreo, acolhe um conjunto de três tanques e depósito de água onde se procedia ao recozimento da matéria-prima. Esta era uma operação fundamental à transformação industrial da cortiça);
– Oficina de Rolhas de Champanhe Aglomerado – construído de raiz na década de 1930, este imóvel térreo integrava a central termo-elétrica da fábrica. A partir dos anos 50, com a instalação da rede de distribuição de energia elétrica, o espaço é aproveitado para a produção do corpo de cortiça aglomerada (produzido em 3 máquinas extrusoras) da rolha de champanhe. No âmbito da atividade do Ecomuseu Municipal, encontram-se em curso as intervenções necessárias à adaptação do edifício a multiusos (exposições temporárias, etc.).
– Oficina de Rebaixar – construído em meados dos anos 40, este edifício de dois pisos concentrava diversas operações para moldagem da cortiça (através da utilização da lixa ou da pedra de esmeril) em diversos formatos, por exemplo, esferas, bóias, punhos para canas de pesca, etc. O imóvel mantém praticamente toda a maquinaria da oficina (cerca de 90 máquinas corticeiras), aguardando-se a realização das intervenções necessárias à sua adaptação a área expositiva.
A destilaria foi adquirida mais tarde pela autarquia, semelhante ao equipamento de produção de aguardente anteriormente existente na quinta, sendo composto por caldeira, fornalha, vasos, prato e refrigerador.
Na adega, o vinho era armazenado em tonéis de grande capacidade e a aguardente num depósito de alvenaria.
No exterior, para além da horta, do pomar e de um espaço ajardinado, destacam-se um moinho de galgas construído pela Metalúrgica Duarte Ferreira, Tramagal, e o moinho de vento americano para captação e elevação da água do poço, para abastecimento de água ao sistema de rega.
Tipo de sítio
Arquitetura industrial / fábrica
Horário
Acesso condicionado a visitas mediante marcação prévia ou por inscrição nas iniciativas programadas.
Ingresso
Gratuito.
Acessibilidade
Restrições a pessoas com mobilidade condicionada.
Locais de exposição do espólio
Todos os edifícios que constituem o Núcleo da Mundet do Ecomuseu Municipal integram in situ o respetivo equipamento industrial (em estado inoperante).
No Edifício das Caldeiras de Cozer, encontra-se instalada, desde 2025, a exposição de longa duração A cortiça: matéria-prima para as fábricas da Mundet.
Contactos
As marcações para realização de visitas deverão ser feitas através do serviço educativo do Ecomuseu Municipal do Seixa
E-mail: ecomuseu.se@cm-seixal.pt
Site: https://www.cm-seixal.pt/ecomuseu-municipal/nucleo-da-mundet
Localização
Município do Seixal | Junta de Freguesia do Seixal | Praça 1º de Maio, 1
Georreferenciação: 38.6404, -9.1045
1905 – A firma de origem catalã, com fábricas em Espanha e nos Estados Unidos da América, a L. Mundet & Sons (antecessora da Mundet & C.ª, Lda., em atividade entre 1922 e 1988) instalou, em Portugal, uma fábrica de cortiça natural, junto à vila do Seixal. A empresa concentrava todas as atividades que iam da obtenção da matéria-prima até à comercialização do produto acabado.
1917 – Durante a I Guerra Mundial, instala uma segunda unidade industrial no concelho do Seixal, freguesia de Amora. Volvidos cinco anos, estabelece uma fábrica de aglomerados de cortiça no concelho do Montijo.
Déc. 30 – Promove uma política de assistência social que irá abarcar a instalação de refeitórios, sopa dos pobres (na fábrica do Seixal), lactários, creches e casas de infância (nas unidades industriais que empregavam um elevado número de mão-de-obra feminina), caixa de previdência e posto médico (abrangendo os trabalhadores de todas as fábricas) e grupo desportivo, com atividades abertas a toda a população do concelho. Nesta década, a Mundet atingiu cerca de 3.000 operários nos concelhos de Seixal e do Montijo, o que constituía cerca de 1/3 da mão-de-obra corticeira do distrito de Setúbal.
1950 – A empresa entra em crise devido ao surgimento de sucedâneos da cortiça, sobretudo do plástico. Esta crise, vai agravar-se na década seguinte, levando ao encerramento de várias fábricas da Mundet e à progressiva diminuição do seu operariado, mantendo-se em atividade as unidades fabris de Seixal e Montijo.
1974 – A 31 de Maio, após a suspensão dos gerentes, os trabalhadores, organizados em comissões, passam a participar ativamente na gestão da empresa. No ano seguinte, deu-se início de intervenção estatal na empresa, em articulação com as comissões de trabalhadores. Por resolução do Conselho de Ministros, em 1977, a empresa é restituída aos seus sócios titulares.
1988 – As fábricas defabris de Seixal e Montijo cessam a laboração, enquanto decorria o processo de falência da empresa.
1997 – Aquisição da propriedade (cerca de 13ha) pela edilidade do Seixal, incluindo os edifícios e oficinas, as máquinas corticeiras, as ferramentas e outros equipamentos associados à sua produção industrial, bem como o remanescente do seu arquivo empresarial.
1998 – 2000 – Com o processo de inventário e de incorporação no museu ainda a decorrer, foi constituído o Núcleo da Mundet do Ecomuseu Municipal do Seixal.
AFONSO, Fátima – A fábrica de cortiça da Mundet e o desenvolvimento económico e social do concelho do Seixal. CGTP Cultura. ISSN 1647-7359. 3ª Série, N.º 3 (2025), p.18-22. Disponível em: https://cad.cgtp.pt/wp-content/uploads/2025/04/cgtpcultura_serieiii_n3.pdf.
AFONSO, Fátima – A indústria corticeira no concelho do Seixal : história de uma das mais fortes comunidades corticeiras do país. In Fundição. N.º 7 (2018), p. 16 – 19.
AFONSO, Fátima – Iniciativas empresariais no domínio da assistência social e da previdência em Portugal: o caso da política social da Mundet & C.ª, Lda. (1930-1953). Cadernos do arquivo municipal. ISSN 2183-3176. 2ª Série N.º 23 (2025), p. 1-23. Disponível em: https://doi.org/10.48751/CAM-2025-23419.
AFONSO, Fátima – Núcleo da Mundet : perspetivar um património industrial corticeiro com vista ao futuro . 1ª ed . Seixal : Câmara Municipal do Seixal, Ecomuseu Municipal, 2022. 73 p. ; 27 cm . ISBN 978-972-8740-79-5. Disponível em: https://issuu.com/municipiodoseixal/docs/mundet_final_issuu .
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SEIXAL. Câmara Municipal. Ecomuseu Municipal – Quem diz cortiça, diz Mundet. Seixal : Câmara Municipal do Seixal, Ecomuseu Municipal, 2010. 254 p. ISBN 978-972-8740-48-1.
Vários artigos sobre este sítio industrial podem ser acedidos em diversos números do boletim trimestral Ecomuseu Informação,disponíveis em: https://issuu.com/municipiodoseixal/stacks/e65a6b031cd946cb8e29f32ad897fa53



